
Tu achas que sou uma selvagem
E conheces o mundo
Mas eu não posso crer
Não posso acreditar
Que selvagem possa ser
Se tu é que não vês em teu redor
… teu redor…
Tu pensas que esta terra te pertence
Que o mundo é um ser morto mas vais ver
Que cada pedra, planta e criatura
Está viva e tem alma, é um ser.
Tu dás valor apenas às pessoas
Que acham como tu sem se opor
Mas segue as pegadas de um estranho
E terás mil surpresas de esplendor.
Já ouviste o lobo uivando no luar azul
O porco e o lince com desdém
Sabes vir cantar com as cores da montanha
E pintar com quantas cores o vento tem
E pintar com quantas cores o vento tem.
Vem descobrir os trilhos da floresta
Provar a doce amora e o seu sabor
Rolar no meio de tanta riqueza
E não querer indagar o seu valor.
Sou a irmã do rio e do vento
A garça, a lontra são iguais a mim
Vivemos tão ligados uns aos outros
Neste arco, neste círculo sem fim.
Que toda a árvore tem, se a derrubares não sabe ninguém
Nunca ouvirás o lobo sob a lua azul
Que é que importa a cor da pele de alguém?
Temos que cantar com as vozes da montanha
E cantar com quantas cores o vento tem.
Mas tu só vais conseguir esta terra possuir
Se a pintares com quantas cores o vento tem.
Susana Félix
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